quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Pôr-de-árvore ou de como a vida pode ser bela e insuportável

Já não é a primeira vez que me sento à janela quando as árvores se prestam a este fino ocaso.
Tenho uma perspectiva clara e aberta sobre as coisas (algumas), sobre ideias e frases e conceitos que nos transportam à essência, à raiz do pensar sobre a beleza que se derrama mais ou menos (nem sempre de forma justa) sobre essas coisas, sobre nós, sobre a vida que é bela e insuportável.
Volto à janela, no último pestanejar sobre a árvore em cinza, tão esteticamente cheia de equilíbrio, tão pétala de rosa em fim de tarde (será amanhecer?) que contém em si a perfeição das tuas mãos sobre a música, da perfeição da voz dos teus dedos, da perfeição do sopro-ventania que dos olhos das crianças me chega a correr sobre as pedras das ruas em direcção ao meu coração, sabendo sempre a exacta medida desse lume-abraço necessário para que o sangue não páre.
É esta a beleza da vida, este pôr-de-árvore que é já canto-amálgama de chegada e de partida...
Fecho a janela e tudo se desfaz na mesma cinza que é também a dor da árvore a gemer por dentro da paisagem.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Muito tempo depois... Para Syl
Porquê?
Não seria fácil quebrar os círculos?
Seremos menos loucos do que o mundo quando deixamos que os sonhos morram numa bela farda que nos traz o «modo funcionário de viver»? (esta frase está na ordem do dia na blogosfera...)
Custará tanto dizer não?
Mad World!
Houve um tempo assim: ouvia a chuva por dentro da mesma forma que os teus dedos tocavam na vidraça feita de uma certa luz que dos meus descia sobre ti.
Era tudo: a água que corria melancólica e calma por sobre o espaço vazio, a voz que era a música do incêndio sobre esse rio...
Houve um tempo assim: entre palavras e sons se estendiam os dedos e os lábios-torrente, essa mesma,a cascata, a que caía sobre a vidraça (que era olhos e corpos e tudo o que sobre o tempo e a emoção partia à deriva),correndo em forma de água sempre melancólica e calma preenchendo um espaço vazio.
Houve esse tempo, mas existe um abismo rasgando essa face calma e melancólica da pressa de nunca chegar a teu lado, do outro lado da vidraça, onde não se ouve a torrente da música das palavras, mudas na tua presença.
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