quarta-feira, 4 de junho de 2008
Como se tropeça numa flor...
Tropecei numa rosa.
Chorava ou miava flor-animal.
Tropecei no vermelho interior do riso, escorregando no suor das folhas.
Cravei um espinho no coração do mesmo sangue,
na cor da rosa.
Esperei ou dormi feita perfume.
Despertei para outro lume.
Prefiro a casa branca e a língua de sal onde nascem flores das águas.
Outras cores...
Jardins sem rosas...
Pomares floridos, horizontais e vastos e maiores e sem pedras ou pétalas nos caminhos.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Esperas e navios

Grande é a vantagem de nenhuma espera.
Não sermos aguardados reconforta e tem a dimensão da improbabilidade de nos sentarmos no banco do jardim na sombra do mar que nos inquieta no olhar que vê correr pássaros e gatos...
Grande é a vantagem de nenhuma espera.
Houve tempos em que o radical do vocábulo em causa era raiz de esperança, útero feito palavra preenchendo horas e locais sem portos nem navios...
Grande é a vantagem de nenhuma espera, ainda que nas cores do outono oscile o torpor da primavera que teima em não chegar, atrasada, sem tempo.
terça-feira, 1 de abril de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
Uma porta sobre o olhar
Às vezes pressente-se a sombra da porta. Nem sempre lá está. Lá, nesse terrível fundo emaranhado de raízes que irrompem da base do que somos.
Há sempre a possibilidade, a escolha, exactamente como a porta que se abre, que se fecha ou que se deixa entreaberta num misto de descuido e intenção.
A porta não é mais do que isso: a pálpebra com que nos olhamos à força do sol que nos pesa, do sono que nos invade ou quando sorrimos por dentro dos olhos que nos beijam.


